quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Uvas do Norte

Sinto o calor de uma estrela que brilha
Vejo a névoa que perspassa meus olhos
Encontro a luz daquele negro semblante
Que um dia soube abraçar a sorte.

Momento de transcendente existência
Cumplicidade nunca efémera entre iguais
Sensações que se desejam partilhar
Com amiúde emoção alheia vividas e alcançadas.

Alguém habita os sonhos
É o telhado e os alicerces sem saber sabendo
Numa verdade sempre repetida sonoramente
Criada está a ponte entre o etéreo eterno cosmos dialéctico.

Sabe-se sabendo
Sente-se sentindo
Diz-se calando mudo
Silencia-se nos silêncios não ditos entre sons.

A parra dá uva de novo
Vinhateiro de poda corta o cacho
Noutro lugar noutra direcção
No mesmo sentido somos...

Quem é a videira?
Será certo ou será míldio que aflora?
Virá o sulfato a tempo
Da poda do vinhateiro?

Terras ricas do Norte
De escarpas trabalhadas na dura corrida
A difícil subida à plataforma rural
Será impossível arear terreno este fértil?

Da simbiose dos organismos
Das tormentas que se sofrem pelo temporal
Da bonança que a solarenga trará
Nascerá uma nova semente?

O agricultor semeia devagar
Espera o tempo a paciência
Quando a flor brotar
Dará fruto e fragância?

1 comentário:

elisasilrib disse...

Após uma leitura atenta dos quatro primeiros poemas, deduzi que te estás a referir a JO,
" Sensações que se desejam partilhar
Com amiúde emoção alheia vividas e alcançadas".
O próprio título também o indícia. A diversidade de figuras de estilo utilizadas encaminharam-me a essa conclusão.
A analogia, a comparação, a forma metafórica que utilizas com mais ênfase a partir do quinto poema, está directamente ligado com a relacção intemporal entre JO e AN,
"Noutro lugar noutra direcção
No mesmo sentido somos..."
Há a questão do quando o encontro,
"Terras ricas do Norte
De escarpas trabalhadas na dura corrida
A difícil subida à plataforma rural".
Desta junção, deste recontro difícil de se conseguir interrogaste/interrogo-me o que irá nascer/crescer daqui,
"Da simbiose dos organismos
Das tormentas que se sofrem pelo temporal
Da bonança que a solarenga trará
Nascerá uma nova semente?"
Por fim há a espera do quando e como...
Penso não ter errado na interpretação!